domingo, 28 de setembro de 2008
Coisas que ouvimos por aí... - Parte Um
Aqui na Bahia é mais do que comum gente que você nunca viu na vida te tratar com impressionante intimidade. Dia desses a tia-avó de uma amiga que sofre de hipotireodismo, ao entrar num ônibus, foi surpreendida com uma observação do, olhe pra isso, cobrador: "Minha tia, a senhora tem uns zoião da porra!" A senhorinha, cansada dos abusos desse tipo de gente ousada, reagiu: "Zoião tem a puta que te pariu!"
sábado, 27 de setembro de 2008
Antes tarde do que nunca
Em uma guerra não se matam milhares de pessoas. Mata-se alguém que adora espaguete, outro que é gay, outro que tem uma namorada. Uma acumulação de pequenas memórias. (Cristian Boltanski).
Essa e outras tantas frases impactantes, bem como belas e intrigantes imagens, estão no filme documentário de Marcelo Masagão, "Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos", de 1998, que eu, na minha santa ignorância, só vim conhecer agora, 12 anos depois...
Essa e outras tantas frases impactantes, bem como belas e intrigantes imagens, estão no filme documentário de Marcelo Masagão, "Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos", de 1998, que eu, na minha santa ignorância, só vim conhecer agora, 12 anos depois...
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Metamorfose Ambulante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha
Opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha
Opinião formada sobre tudo...
Sobre o que é o amor
Sobre que eu
Nem sei quem sou
Raulzito
Nessa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha
Opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha
Opinião formada sobre tudo...
Sobre o que é o amor
Sobre que eu
Nem sei quem sou
Raulzito
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
E a Bahia mostrou a sua cara
Sábado assisti à comemoração dos sete anos do Altas Horas, gravado aqui em Salvador. Resolveu-se convidar alguns artistas locais para interpretar músicas de Tim Maia, o homenageado da festa. Até aí, tudo lindo: Serginho emocionado, feliz em estar festejando na Bahia, a Concha Acústica lotada, etc e tal. O que se viu, entretanto, foi um dos encontros musicais mais terríveis de toda a história do Axé e da TV. Particularmente, fiquei com vergonha de Pitty (ninguém nunca lhe disse que cantar com piercing na língua não dá certo?) e de Tatau, que parecia bem abatido com a saída do Ara Ketu (achismos à parte). Cláudia Leite, então, conseguiu se superar e não sei se por nervosismo ou simplesmente por não saber fazê-lo, simplesmente conseguiu destruir uma das músicas mais bonitas de Tim, Você. Emanuelle Araújo, mais atriz do que cantora, e ainda assim, ruim, também não rendeu com Canário do Reino. Ivete, a primeira a se apresentar, foi apenas correta - e sábia - ao cantar Não Quero Dinheiro, música mais do que batida e debatida por essas plagas carnavalescas. Outro sábio, ou sortudo, foi Durval Lélis que ficou com Sossego - mais fácil, impossível. Carlinhos Brown foi fiel na interpretação de Azul da Cor do Mar. Netinho, Alexandre Guedes (Motumbá) e Saulo Fernandes não me empolgaram, o que não é nenhuma novidade... Margareth Menezes, entre uma desafinada e outra, deu conta do recado. Daniela Mercury e Jauperi, os últimos da noite, interpretaram juntos, mostrando sintonia e afinação, uma das músicas mais chatas e cafonas da nossa música popular, Como Um Dia de Domingo (há quem aponte esta música como o início da derrocada de Gal Costa, nos anos 80, quando ela enveredou pela breguice musical). A cada entrada de um deles, toda a Concha ia ao delírio, claro, figuras populares e queridas pelos axezeiros de plantão. Agora, vejam só: Virgínia Rodrigues, descoberta por Caetano Veloso e tida pela crítica internacional como uma das maiores cantoras brasileiras, foi necessário Serginho Groisman pedir aplausos para ela. Não conhecia a música cantada por ela, mas foi de rara beleza. Aliás, se ali existiu arte e uma digna homenagem a Tim Maia, devemos isso à voz e à interpretação de Virgínia Rodrigues. Pena que o grande público presente à festa não tivesse a menor noção disso...
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Até quando não vamos dizer nada?
Escrito nos anos 60 pelo poeta fluminense Eduardo Alves da Costa, o poema No Caminho, com Maiakóvski era (quase) sempre creditado ao russo Vladimir Maiakóvski (1893-1930). Em Mulheres Apaixonadas, Helena, vivida por Christiane Torloni, leu um trecho do poema, dando o crédito correto. Lembro que foi uma polêmica danada, resolvida alguns capítulos depois, em que a autoria de Costa foi reafirmada.
Desde a quarta-feira passada, as palavras de Eduardo Alves da Costa têm ecoado na minha cabeça e só fica uma pergunta: até quando não vamos dizer nada?
No caminho com Maiakóvski
Na primeira noite eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim;
e não dizemos nada.
Na segunda noite
já não se escondem,
pisam as flores,
matam o nosso cão;
e não dizemos nada.
Até que um dia
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a lua e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E, porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.
Desde a quarta-feira passada, as palavras de Eduardo Alves da Costa têm ecoado na minha cabeça e só fica uma pergunta: até quando não vamos dizer nada?
No caminho com Maiakóvski
Na primeira noite eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim;
e não dizemos nada.
Na segunda noite
já não se escondem,
pisam as flores,
matam o nosso cão;
e não dizemos nada.
Até que um dia
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a lua e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E, porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Com molho ou sem molho?
Quase um mês sem escrever nada. E nem foi por achar que não tinha o quê. Por umas três vezes, no mínimo, comecei a rascunhar algumas idéias, mas uma espécie de nó mental se apoderava de mim e aí não tinha jeito. Eu olhava pro computador, ele olhava pra mim e não saíamos disso.
O um, sobre o escândalo envolvendo a pirataria, termo popularmente usado para o roubo da propriedade intelectual alheia, em cima do filme Tropa de Elite, de José Padilha. O fato em si não causaria tanto alvoroço -já que se tornou uma prática comum, e nem por isso correta, a comercialização de CD e DVD ilegais em bancas por aí afora - se o filme, além de ainda nem ter estreado nos cinemas, não estivesse sendo visto piratamente, digamos assim, pelo próprio BOPE (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar). Uma denúncia anônima acabou com a farra e um processo foi aberto. Mas, diga aí, se até um presidente da República assiste a DVD pirata, como aconteceu com Lula, alegando que não sabia, claro!, e 2 Filhos de Francisco, imagine o resto! Se bem que Lula... Deixa pra lá!
Também pensei em postar algo sobre Soppa de Letra, monólogo de sucesso do grande ator Pedro Paulo Rangel, onde ele declama letras de consagradas músicas da MPB, que vi no Centro Cultural da Caixa, ali na Carlos Gomes. A direção é de Naum Alves de Souza, autor de Aurora da Minha Vida, sua peça de maior sucesso, que tive o prazer de estudar e encenar na UniverCidade, no Rio, quando fazia o curso de Formação de Atores. O roteiro é do próprio Pedro Paulo e de De Bonis, que me dirigiu em Atlântida. Detalhe: fui ver Soppa num domingo, a sessão era em plenas 4:30 da tarde e o teatro estava lotado! Como diria Caetano, lindo!
Outra vontade foi falar sobre... Paraíso Tropical. Agora que a novela está chegando ao fim, que Alessandra Negrini provou pra todo o país que é uma excelente atriz - e ponto! - e que Gilberto Braga é um dos maiores noveleiros que temos, fica só uma perguntinha: quem matou Taís? Pra mim, parece bem provável que sejam Urbano, já que detinha os tão falados R$ 250.000,00 da finada em fundos de investimento, se é que fez isso mesmo, e Marion. A gordalha trambiqueira vai sofrer nestes últimos capítulos um infarto após uma tentativa de morte por envenenamento. Por quem? Por Urbano, mais uma vez, obviamente - típica queima de arquivo. Uma personagem como ela, completamente amoral e sem escrúpulos, merece ser punida, sim, e ser cúmplice de um homicídio vai ser a chave para a sua punição. No Brasil, salvo honrosas exceções, como o Marco Aurélio, de Reginaldo Faria, em Vale Tudo, que fugia do país nos dando uma banana muito da bem dada, e a Bia Falcão, da Fernandona, em Belíssima, pelo menos na ficção os calhordas são castigados - eu disse na ficção.
Então é isso, o post de hoje foi praticamente uma salada de assuntos, daí o título. Até a próxima, cambada!
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